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PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE TEXTOS DISSERTATIVOS

O que é um texto dissertativo-argumentativo?

É um texto que tem como base principal a opinião expressa através de argumentos. Os gêneros dessa natureza são os preferidos dos vestibulares. Compreende a DISSERTAÇÃO-ARGUMENTATIVA (que é uma abordagem mais geral), o ARTIGO DE OPINIÃO e A CARTA ARGUMENTATIVA. Os dois últimos passaram a ser bastante utilizados nos processos seletivos e são abordagens mais específicas. Desde 1998, o texto escolhido pelo ENEM é a DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA EM PROSA (ou TEXTO ARGUMENTATIVO, ou, ainda, TEXTO DISSERTATIVO ARGUMENTATIVO).

Qual a diferença entre artigo de opinião e carta argumentativa?
A diferença entre eles, além da estrutural, está na função comunicativa de cada um. Enquanto um artigo é feito pensando-se em vários leitores, sem um direcionamento específico, a carta-argumentativa é produzida com um destinatário certo, conhecido. Por isso, as manifestações da linguagem são diferentes para cada um. A carta constitui uma espécie de diálogo entre emissor e receptor.

Quantos parágrafos deve conter um texto de natureza dissertativa?

A maioria dos alunos acha que um texto de cunho dissertativo só deva ter três parágrafos, o que não está totalmente correto. Pode conter a partir de três, compondo a estrutura introdução, desenvolvimento e conclusão, mas se considerarmos que o desenvolvimento poderá apresentar mais de um parágrafo, esse número varia. Tudo depende da maneira como o candidato organiza suas idéias na introdução. 

Que temas provavelmente cairão na redação do ENEM 2013 e vestibulares 2014?

A variedade de temas é muito grande. Algumas universidades tendem a cobrar mais alguns assuntos do que outros. Geralmente, aqueles que interessam à sociedade são os preferidos pelas bancas, incluindo-se a do ENEM. O importante é estar informado sobre tudo e preparado para seja qual for o tema escolhido. A FUVEST, por exemplo, escolhe temas bastante abstratos como o consumismo. Nos tópicos deste blog (lado direito) há uma lista de assuntos que podem ser objeto dos processos de 2013/2014.

Que construções devem ser evitadas no desenvolvimento do texto?

Um dos aspectos avaliados pelos vestibulares é a originalidade do texto. Portanto, devem-se evitar expressões já conhecidas como “Desde os primórdios da humanidade”, “venho por meio desta”, “portanto, concluímos que”. Lembre-se de que o texto é seu e, logo, as palavras devem ser suas.

Qual a importância do título nas redações de vestibular?

Depende muito da banca. Tem-se observado que a falta do título numa DISSERTAÇÃO não influi na avaliação, mas no caso do ARTIGO, o título faz parte da formatação. Se o vestibular exigir o título, coloque-o, pois, nesse caso, a banca considera-o importante para a estrutura do texto. E não confunda TEMA com TÍTULO: enquanto aquele diz respeito, grosso modo, ao assunto, este é atribuído pelo aluno e funciona como um tipo de manchete para o que será tratado.

O que faz zerar a redação no ENEM e vestibulares?

Fugir ao tema ou ao gênero / tipologia textual, ou ainda se apresentar totalmente incompreensível. Por exemplo, se é solicitada uma carta argumentativa e o candidato produz um artigo de opinião, a redação não será considerada. Outro erro que faz eliminar o candidato é assinar a DISSERTAÇÃO com nome próprio. No ENEM / 2013, dada a repercussão de alguns textos contendo trechos inviáveis, como hino do Palmeiras e receita de miojo, foi acrescentado um item que anula a redação contendo trechos deliberadamente em desconexão com o tema proposto.

Qual a estratégia mais eficiente para se melhorar em redação?

É quase pretensão dizer que alguém já esgotou as dúvidas em redação. Trata-se de um processo contínuo, em que a leitura é um fator preponderante. Mas essa leitura precisa ser acompanhada de uma prática e deve ser realizada com consciência, pois o mau leitor dificilmente conseguirá ser um bom redator. Tudo precisa começar na escola, desde os primeiros anos de estudo.

Que tipos de texto devem ser lidos?

A variedade de gêneros ajuda muito, mas o conteúdo precisa ser consistente, precisa haver informações úteis e estrutura bem organizada. Podem-se ler os gêneros jornalísticos ou  literários, as charges, os quadrinhos, as tirinhas, etc. O importante é o contato constante com as palavras.

É errado utilizar exemplos para ilustrar os argumentos?

Não é errado, mas se os exemplos ilustram, eles hão de ser considerados acessórios e não principais. Não deve haver exagero. Encher o texto de exemplos, sem nenhuma relação contextual, prejudica mais do que ajuda na redação. O exagero não pode ser a marca registrada, deve haver equilíbrio, como tudo que se faz em nossa vida. 

O que fazer, caso erre uma palavra e queira corrigi-la?

A maioria das universidades orienta que seja riscada a palavra errada e colocada entre parênteses. Em seguida, o aluno deve escrever o vocábulo corrigido. Mas é bom deixar claro que isso não faz tanta diferença assim na hora de se avaliar o texto. 

Mitos que precisam ser desfeitos

Alguns candidatos se preocupam mais do que o normal quanto à formatação do texto. Por exemplo, o fato de se esquecer a data numa carta argumentativa ou o título no artigo não prejudica tanto como se pensa, o texto é analisado como um todo e casos desse tipo não influenciam na opinião do aluno.

Outro fator que não deve ser superestimado é a rasura ou letra feia. Para a banca, o importante é haver compreensão e todos sabem da dificuldade que é escrever sob pressão. Não é como pegar a proposta, levar para casa e depois de uns dias entregá-la. Tudo tem de ser naquela hora e isso, é claro, não é uma situação corriqueira.

A expressão "no registro culto da língua" faz os vestibulandos pensarem que devem utilizar as palavras mais complexas do dicionário. Outro pensamento equivocado. Apenas se orienta que o candidato não cometa erros gramaticais e evite coloquialismos. A escolha das palavras é altamente subjetiva, é de autonomia de quem escreve o texto, desde que adequada à situação comunicativa. 

O que é pseudônimo?

Quase todo mundo ouve esse nome, mas alguns ainda não conseguem saber o que significa. Trata-se de um nome fictício, que as bancas indicam para os candidatos assinarem o seu texto: Artigo de Opinião ou Carta-argumentativa. Esse nome serve para compor a formatação do gênero textual indicado e, principalmente, para que o aluno não seja identificado, já que o processo seletivo vestibular é bastante sério. O aluno que esquecer o pseudônimo é penalizado, mas não zera a redação. No entanto, àquele que puser o nome original será atribuída a nota zero. Geralmente o pseudônimo é formado por dois substantivos, um próprio e outro comum. Por exemplo: Gil Potiguar, Juraci Poti, Fernando Rio, etc. No caso da redação do ENEM, não há assinatura nem mesmo com pseudônimo. É bom ficar atento a esse detalhe.

O que é texto em prosa?

De uns tempos para cá, os vestibulares resolveram indicar nas propostas de redação que se deve escrevê-la na linguagem habitual, com a estrutura a que estamos acostumados, ou seja, com parágrafos e linhas até o final da folha ou, simplesmente, TEXTO EM PROSA. Como as pessoas, à maioria das vezes, não sabem diferenciar PROSA e VERSO, acabam confundindo-se e escrevendo a redação em estrofes. Saiba que essa orientação mais atrapalha do que ajuda, mas serve para exigir que, caso o candidato escreva o texto em ESTROFES, com rimas e versos, estará eliminado do processo seletivo. Então, para não complicar, basta compreender que o texto deve ser escrito sem rimas, sem a estrutura de um poema. Não vamos zerar a redação só por causa desse detalhe.

REFUTAÇÃO NO TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO

Refutar: desmentir, negar, discordar, desqualificar. Enfim, contestar argumentos utilizando-se de idéias opostas àquelas anteriormente discorridas.

EXEMPLO:

Leia o trecho a seguir:

“... cheguei à conclusão de que a sociedade brasileira em seu todo não tem mais solução. É intrinsecamente corrupta e amoral.” Walmor Erwin Belz
(Veja, Seção Cartas, 22-08-2007)

Contestação ou Refutação

Dizer que a sociedade brasileira não tem mais solução é, no mínimo, uma afirmação precipitada e sem fundamento, pois ninguém nasce amoral, muito menos corrupto. Embora o homem seja produto do meio em que convive, a honestidade ou corrupção partem de cada um, de acordo com a consciência individual, e por isso o julgamento deve ser também individual.

Como vimos acima, a refutação carateriza-se por apresentar idéias contrárias a um argumento, com o intuito da negação. Esse tipo de prática acontece muito num júri popular, pois os advogados de acusação e defesa fazem, o tempo todo, o jogo de negar as idéias do outro.
 

Dúvidas respondidas pelo professor de Língua Portuguesa e Redação, Cassildo Souza, autor do blog.